17 de março, quinta-feira
Sábado é o dia da vadia. Estando solteira como estou e trabalhando mais de nove horas por dia (se não fossem as prestações do meu carro novo, eu até pensava em trabalhar menos), é no sábado que essa vida árdua se redime comigo. É no sábado que esqueço juízes, processos, reuniões com clientes, estagiárias oportunistas e fóruns pra pensar em apenas duas coisas: diversão e sexo.
Não sei porquê algumas colegas me reprimem quando digo que "vou sair pra caçar". Se houver maneira mais eficaz de relaxar e começar mais outra semana de trabalho puxado que o sexo, me avisem. Terminei com um babaca
Estive doente umas semanas atrás, e meus últimos dois dias de vadias (sábados) foram cancelados por uma amidalíte de foder o pique de qualquer santo. Antes da amidalíte já fazia bem umas três semanas que não conhecia ninguém interessante, então... conte aí mais de um mês sem sexo, somado a uma semana estressante, que você terá como resultado da equação uma moça precisando de uma foda selvagem. Só por hobbie, sabe? Uma foda recreativa.
Num desses sábados fui num bar legal com as meninas e conheci um engenheiro... moreno, alto e simpático, mas não muito atraente. Ele estava com um pessoal que eu já conhecia, e comeu minhas coxas com os olhos desde a hora em que cheguei. A sensação de ter alguém te achando gostosa é inegavelmente boa. Nas poucas palavras que troquei com o feiosinho em meio àquele show barulhento entremeado pelo tilintar de garrafas vazias, notei que não tínhamos nada a ver. Ele tem filho pequeno, sério demais e, apesar dos ombros fortes, tinha o cabelo feio. Eu não sou lá muito chegada num esteriótipo de galã, mas gosto da aparência harmoniosa.
A noite foi chegando ao fim, nada melhor apareceu, e eu estava realmente afim de tirar o atraso do mês, e minhas amigas ficavam botando uma puta pressão só porque, de acordo com elas, "ele é montado na grana". Ok, mas isso não o torna mais atraente, infelizmente; pelo menos, não quando se trata de uma foda recreativa. Portanto, quando ele se ofereceu pra me levar pra casa, foi com um suspiro de "é, fazer o que?" que aceitei.
No caminho, ele já colocou a mão entre as minhas coxas. É, fazer o que? Abstraí a considerável falta de atração e curti a sensação. Chegando na porta de casa, começamos a nos beijar. Ele tinha um beijo potente, já me agarrou pela cintura, apertou minha bunda, mordeu o meu decote, enfiou a mão por debaixo da minha saia. Eu gosto de homens que me pegam assim, de maneira decidida. Quando senti uma língua morna no meu pescoço, dedos dentro da minha calcinha e um suspiro involuntário vindo de mim, sugeri: vamos pra outro lugar?
Repito: EU sugeri, pro cara que estava me secando a noite toda, para irmos para um outro lugar. Não gosto de rodeios e ele, de fato, não era o tipo que eu gostaria de continuar saindo com. Como dizia a minha vó, "homem é que nem porco: por causa do chouriço, você tem que comprar o animal inteiro" e esse caso não poderia ser menos diferente. Ele demonstrou interesse desde o começo da noite, e eu só queria saber do chouriço. É, fazer o que? Antes isso que ir dormir sozinha por sabe-se lá mais quantas semanas. Não sou garota de rodeios, pelo menos não para fodas recreativas. Mas sabe o que o Chouriço me respondeu?
- Hoje... hoje não dá.
- O que?
- Hoje eu não dou conta, sabe?
- Não entendi.
- Não dá, hoje não dá.
Tá bom.
Sem enrolar nem disfarçar, dei-lhe um estalinho de boa-noite e saí batendo a porta do carro. Antes de dar dois passos em direção a portaria do prédio, ele me chamou de volta e pediu meu telefone. É, fazer o que? Fiquei tentada em passar o número errado, como normalmente faço com homens desinteressantes que me dão carona ou ficam insistindo pra me pagar bebida, mas lembrei que ele estava com um pessoal conhecido no bar... bom, ficava fácil ele descobrir o número correto, sem contar que eu ia passar por mal educada. Acabei passando o número certo.
Já em casa, ruminei por alguns minutos o que diabos seria esse "hoje não dá, não dou conta". Será que me achou gorda? Será que fui rápida demais? Será que ele é um molóide romântico? Será que ele ficou afim pero no mucho? Será que assustei o rapaz? Após alguns minutos de serás, taquei o foda-se antes mesmo de terminar de escovar os dentes. Um dia é da caça, outro do caçador.
Na segunda-feira mesmo o Chouriço me ligou na hora do almoço. Atendi com pressa e sem muita atenção, estava num almoço de trabalho com meu chefe e alguns clientes. Ele notou que estava ocupada e pareceu meio constrangido. Falei que me ligasse mais à noite, mas ele não deu mais notícias até o final da semana. Mal notei isso porque foi uma semana particularmente dura e cheia de trabalhos pendentes pra serem finalizados, mas no sábado a tarde, enquanto tomava uma cerveja na casa de algumas amigas, ele ligou, todo simpático, dizendo que tinha acabado de levar o filhinho pra uma excursão na escola e ia ficar o fim de semana em casa, e se eu não queria sair com ele de noite. Ah, tá bom... até parece que eu vou desperdiçar meu sábado a noite com um Chouriço que não dá conta.
- Hoje não dá, querido... me liga amanhã de tarde, pode ser?
- Ah... pode, sim. -desanimado, como seu chouriço na semana anterior.
- Mas liga mesmo, tá? Beijo grande.
Ah... a arte de flertar.
É quase instintivo, natural e incontrolável ficar jogando charme pra homens disponíveis, mesmo que o interesse não seja tanto. Deve ser esse tipo de mulher que classificam como vadia: aquelas que flertam e jogam charme. Eu imagino que esse tipo de termo perjorativo deve ter sido inventado por alguma mulher com pouco charme e muita competitividade, pra se compensar de alguma forma por não ter coragem de ser uma vadia também. Tem que ter coragem pra ser vadia e fazer o que tem vontade.
Fiquei o dia inteiro na casa das meninas, tomamos incontáveis cervejas, e acabei acordando de ressaca no domingo. Aí sim, me tornei uma jovem mulher normal: fiquei em casa assistindo "O Senhor dos Anéis" e comendo sorvete. Durante o ataque dos Ents a Isengard, no segundo filme, o Chouriço me telefona. Combinamos de nos ver à noite. Banho, depilação, maquiagem, o interfone toca e eu desço os 11 andares ajeitando o cabelo no espelho.
No carro, a conversa fiada é só pra disfarçar os objetivos primários -de ambos, até onde me concerne. Ele nem disfarça, já convida "vamos tomar umas cervejas lá em casa" e eu topo depois de fazer um leve cu doce. No primeiro sinal vermelho ele me beija e diz que eu pareci meio brava "naquela outra noite". Dou risada, já que fiquei meio puta mesmo, mas não preciso me justificar pra ele. Ele é só um Chouriço.
Já em casa, começamos a nos pegar antes do final da terceira latinha, na varanda do sobrado dele. Ele me diz que "é meio louco", e tem vontade de fazer ali mesmo. Percebi isso ao notar que meu sutiã já estava no chão e haviam mãos apertando meus peitos. Eu adoro carinho nos mamilos, em pouco tempo já tava mole nos braços dele. Passei minha virilha na dele e senti o chouriço do Chouriço ali, já quase no ponto. Sugeri irmos pro quarto, sei lá que tipo de vizinhos doidos ele pode ter.
No quarto, ele me jogou direto na cama -sorri pra ele. Nos beijamos, a mão dele tirando minha calcinha e eu esfregando minha coxa entre as pernas dele. Em pouco tempo, ele já tava pedindo "me chupa?". Fui dedicada. Adoro essa parte do serviço, gosto de lamber devagar, beijar com carinho e "colocar tudo na boca", como os homens gostam de dizer. Alguns minutos de muito zelo, dedicação e olhares safados -da minha parte- e de suspiros e puxadas de cabelo -da parte dele- e ele veio pra cima de mim. Delícia, minha vez.
Recebi três lambidas. Não, não três sessões de sexo oral e sim três lambidas contadas. Um gato lamberia um pires de leite com mais empolgação. Mas de onde diabos esse Chouriço saiu, da droga de um mosteiro? Será que ALGUM DIA ele já fez uma mulher ter um orgasmo, cara? Quando vi que o sexo oral dele se resumia a isso, fiz o resto meio no automático. Eu não ia me dar ao máximo pra um cara que não retribui, afinal, sexo é troca. Deus me livre de ter que ensinar um homem barbado a satisfazer uma mulher de verdade. Aproveitei que ele estava BEM animado, montei nele -outra coisa que adoro: ficar por cima e dar aquele show de peitinhos- e tentei me satisfazer praticamente sozinha, deixando-o fazer as vezes de sybian passivo.
Ele ficou empolgado. MUITO empolgado, me virou de lado, mandou ver na velocidade 5 do créu e tava jóia, bacana, uhul, AÊ FINALMENTE CAMPEÃO... até que eu resolvi falar isso. Olhei pra ele e disse alguma bobagem do tipo "que gostoso" e ele simplesmente... gozou. Assim mesmo, sem aviso prévio, sem me deixar terminar, sem tentar finalizar. Ok, eu sabia que ele só queria sexo, assim como espero que ele também tenha percebido que era exatamente essa a minha intenção. Eu fui boazinha com ele, que diabos custava ele ser legal comigo também? Dei-lhe dois minutos pra acalmar a respiração e já tava colocando a roupa de novo. Até agora não sei se ele é realmente um idiota ou se é apenas um péssimo amante. Quer saber? A próxima guria dele que descubra. Pra mim, foi dessa vez pra nunca mais, teria sido melhor o bom e velho sexo solitário. É, fazer o que?
Moral da história: teria me valido mais ter ficado em casa com dois hobbits de pé peludo que sair com um orc meio sonso. Esse negócio de foda recreativa não tá com nada, vou é garantir Star Wars pro sábado que vem que eu ganho mais.
2 comentários:
nossa que lixo, nao sabia q as mulheres poderiam se rebaixar a isso... achei q as mulheres erao superiores aos homens, me enganei
Belo texto... Talvez goste destes:
http://obomcanalha.blogspot.com/
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